Cursinho Popular

Universidade Pública para quem?

No Brasil há mais de 8,3 milhões de estudantes no Ensino Médio1. Destes, 85,9% estão matriculados em escolas públicas estaduais de todo o país e apenas 11% frequentam as instituições privadas.

Contudo, no Ensino Superior os números são bem diferentes. Essa pequena parcela da população, os 11% privilegiados, ocupam cerca de 70% das cadeiras das instituições públicas brasileiras de Ensino Superior. Por exemplo, na Fuvest 20102 apenas 25,64% dos aprovados eram provenientes de escolas públicas. Em 2011 a Unicamp3 comemorou a aprovação recorde de alunos da rede pública: 32% de seus ingressantes. O sendo do IBGE4 em 2007 informou ainda que 54,3% dos estudantes das universidades públicas fazem parte do grupo dos 20% mais ricos do país.

Esses dados resumem claramente a situação do acesso à educação superior no Brasil. O baixo índice de escolaridade é lei para os menos favorecidos.

O Estado oferece uma educação básica precária, que não possibilita a participação efetiva de seus alunos nos processos de seleção das universidades públicas – sustentadas com o dinheiro de todos os brasileiros. Não bastasse o número ínfimo de vagas nas universidades, o exame vestibular nada mais é que um filtro social: avalia de modo indistinto indivíduos que vivem realidades completamente diferentes.

O Cursinho Popular nasceu desta realidade perversa, sendo obviamente um filho rebelde. Fundado há dez anos, é um projeto mantido pela Associação de Educadores e Pesquisadores, com o objetivo de ser uma pedrinha no sapato do sistema vigente. A avaliação pelo vestibular (ou a meritocracia apoiada no berço de ouro) impede que a população de baixa renda tenha seu direito constitucional respeitado: o acesso à educação.

Pensando no aluno de escola de pública, de renda média e baixa, o Cursinho Popular oferece preços acessíveis e bolsas de estudos (com critério exclusivamente econômico-social), tentando reverter a defasagem de conteúdo estudado em relação ao que é exigido pelos vestibulares (principalmente das universidades públicas do estado de São Paulo). Além disso, procuramos o desenvolvimento crítico dos alunos, o questionamento às ordens estabelecidas, uma visão mais ampla da realidade brasileira e a necessidade de ser um indivíduo transformador em nossa sociedade doente.

Fontes:

1 http://www.brasil.gov.br/sobre/o-brasil/o-brasil-em-numeros-1/educacao/print

2 http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/08/numero-de-aprovados-da-escola-publica-na-usp-e-o-menor-desde-2007.html

3 http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,unicamp-reverte-queda-de-aprovados-da-escola-publica,700018,0.htm

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=987


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